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O nosso "amor pela vida" é sempre, de alguma forma, amor não correspondido (...) A vida não se importa conosco, nem sabe que andamos por aí. Contrariamente ao que se diz, ela não dá nada de graça, tudo o que conseguimos é arrebatado. A vida não precisa de nós, nós a perseguimos, nos humilhamos, suplicamos, aceitamos tudo dela, os maiores sofrimentos. Muitos são capazes das piores atitudes morais apenas para conservá-la mais um pouco (...) Aos que perguntem "Mas, não amas a vida?", deveríamos responder, num viés mais poético: "É claro que a amo; sempre a amei. Eu sempre quis viver, mas é a vida que não me deixa viver, que me limita, machuca, me faz adoecer e me destrói. Não sou eu quem não quer viver, pois a vida é tudo o que eu queria. Eu quis construir e a vida derrubou tudo o que eu ergui; quis amar e a vida matou tudo o que eu amei. Não me digam que não amo a vida; é ela que não me ama, que não ama ninguém.
— JULIO CABRERA