“
Assim, quem diz procriar por amor, como outros matam por ódio, pode ter dito uma verdade, mas, sem dúvida, essa pessoa não deu qualquer justificativa moral para a procriação. Dizer que se teve um filho "por amor" é uma maneira de dizer que você o teve compulsivamente, de acordo com os ritmos selvagens da vida. De um modo semelhante, podemos amar intensamente nossos pais e, ao mesmo tempo, considerar a paternidade ético-racionalmente problemática, e visualizar que fomos manipulados por eles. Posso continuar a amar depois de ter detectado imoralidade, não há nada de contraditório nisso. Nem justificaríamos moralmente um homicídio dizendo que o fizemos por ódio, nem um suicídio dizendo que o fizemos "por ódio contra nós mesmos". Algo pode continuar a ser eticamente problemático mesmo quando guiado pelo amor.
— JULIO CABRERA