Nós os filhos do norte (consente este norte; sabes que é palavra relativa) sonhamos S. Paulo o oásis da liberdade e da poesia plantado em plenas campinas do Ypiranga... Pois o nosso sonho é realidade e não é realidade... Se a poesia está no envergar do ponche escuro e largar-se campo fora a divagar perdido nestes gerais limpos e infinitos como um oceano de juncos; se a poesia está no enfumaçar-se do quarto com o cigarro clássico, enquanto la fora o vento enfumaça o espaço com a garoa (é uma névoa espessa como nuvem que se arrastasse pelas ruas) com a garoa ainda mais clássica; se a poesia está no espreitar de uns olhos negros através dos balcões* [*É para dar-lhes um caráter espanholado] ou através de das rendas da mantilha que em amplas dobras esconde as formas das moças, então a Pauliceia é a terra da poesia.
1868, São Paulo, carta ao amigo e futuro cunhado Augusto Álvares Guimarães.
— CASTRO ALVES