A Menina do Papai, passiva, adaptável, respeitadora e temerosa do macho, aceita que ele lhe imponha uma conversa desinteressante e insípida. Isto não é muito difícil, uma vez que a tensão e ansiedade, a falta de calma e de autoconfiança, a insegurança e a incerteza dos seus próprios sentimentos e sensações, que o Papai nela instilou, tornaram a sua percepção superficial e incapaz de ver que o blá-blá-blá do macho não passa de blá-blá-blá. Tal como o esteta que “aprecia” o borrão classificado de “Grande Arte”, também acredita que está a curtir o que na realidade a aborrece mortalmente.
— VALERIE SOLANAS