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Trata-se de grandes módulos temporais, mesmo gigantescos, da transição das coisas para seu fim, que – desde nosso minúsculo módulo temporal, singular, finito e perspectivo – nos fazem ver como estático e permanente o que está impregnado e corroído de temporalidade, fluidez e terminalidade. Como se o próprio ser já aparecesse ocultando a sua natureza definhante. Como se os mecanismos humanos de ocultação do terminal seguissem o próprio ritmo ocultador do próprio ser, como se todo o humano tendesse a ocultar a sua temporalidade terminal e seu assustador desvalor atrás de uma temporalidade lenta e tranquilizadora. Se pudéssemos nos assomar por um instante na temporalidade vertiginosa do ser-terminal do ser – como aquele cientista demente do filme O homem que enganou a morte, de Terence Fisher (1959), que envelhece e morre em poucos segundos diante das câmeras –, ficaríamos aterrorizados. Conseguimos suportar o ser-terminal do ser porque ele nos é administrado por conta-gotas, pouco a pouco, numa temporalidade a prazos.
— JULIO CABRERA